1. In Between Days – The Cure

2. Ceremony – Versão New Order

3. The Headmaster Ritual – The Smiths

4. House of Cards – Radiohead

5. Silver Stallion – Cat Power

 

 

as cinco favoritas. agora só falta uma banheira e dar play.

fiz minha casa no teu cangote e não há neste mundo o que me bote pra sair daqui, te pego sorrindo num pensamento, faz graça de onde fiz meu achego, meu alento e nem ligo como pode, no silêncio, tudo se explicar? vagarosa, me espreguiço e o que sinto, feito bocejo, vai pegar

e eu, que fico à flor da pele,
sem querer,
eu tenho um coração vulcânico
e sempre acabo errada.

 

Uma vida tão gostosa que até sua bagunça seja bonita.

Sofrendo no século XVIII junto com Maria Antonieta.

This is why events unnerve me
They find it all a different story
Notice whom for wheels are turning
Turn again and turn towards this time
All she ask’s the strength to hold me
Then again the same old story
World will travel oh so quickly
Travel first and lean towards this time
Oh I’ll break them down, no mercy shown
Heaven knows It’s got to be this time
Watching her, these things she said,
Times she cried,
to frail to wake this time

“Lança seus sinais duas vezes – para que ela própria escute, uma vez,  e outra para que acreditem. Eu acredito. Sei como sofre, e tenho no seu peso o seu relógio, e seria melhor que o ar que a faz viver lhe desse um pouco de descanso. Se não respirasse por uma semana talvez acordasse melhor e se espreguiçasse, e a vidraça do nosso quarto, recuperando a transparência, não fosse mais o seu espelho. Há céus detrás dessa vidraça, a ponta de uma árvore, o teto de outras casas. Eu acredito. Eu sei como a sua carne pede que a protejam, ao mesmo tempo que a deixem sozinha, e a minha carne ainda quer a sua, quer ainda mais que isso, a minha carne sozinha. Tenho os olhos sobre ela para afastá-los de mim – eu, o pobre gordo dos meus deveres, da minha ambição e saudade. Ela está morrendo como um espelho, um azulejo – não pode se ver por estar tão fraca, então reflete. A sua voz, mais grave e gaga, diz o que nós queremos que diga. Seria tão fácil aproveitar dela. Qualquer um poderia. Qualquer um a levaria por uma palha, um raciocínio, um doce. Por isso achei melhor deixá-la no quarto trancada, e não apenas eu: nós todos a estamos vigiando em turnos alternados. Ela poderia sair andando como um cachorro peregrino em seu último dia. Mas também não é isso que procura. Prefere o tule fino dos lençóis. E quer ser lembrada. Eu lembro. Eu vou lembrar.”

Nuno Ramos – Minha Fantasma. (Aqui tem mais)

Leio esse texto sempre que posso e nunca me canso. Acho que é um dos meus favoritos. Isso – pra mim – é o bem escrever. Não gosto de julgar qualquer expressão artística de escrita porque enfim… a pessoa só quer dizer alguma coisa. Mesmo que seja bobagem, é um direito dela e não quero ter um olhar cínico sobre isso.

Quando é ruim a gente ignora, mas quando é bom: ó céus.

Bom, pelo menos ela sabe que é tudo idealizado.

 

via princesa

Nós o chamamos de grão de areia,
mas ele não se considera nem grão nem areia.
Vive perfeitamente bem sem um nome,
seja genérico, particular,
provisório, permanente,
incorreto ou preciso.
Nosso olhar, nosso toque nada significam para ele.
Ele não se sente observado e tocado.
E o fato de que caiu no parapeito
é uma experiência nossa, não dele.
Poderia cair em qualquer outro lugar,
sem saber se parou de cair
ou se continua caindo.
A janela tem uma bela vista do lago,
mas a vista não se vê a si mesma.
Ela existe nesse mundo
sem cor, sem formato,
sem som, sem cheiro e sem dor.
O fundo do lago existe sem chão
e sua margem, sem beira.
Sua água não se sente nem seca nem molhada
e suas ondas nem uma nem muitas.
Elas quebram surdas a seu próprio barulho
em pedras nem grandes nem pequenas.
E tudo isso sob um céu que por natureza não é céu,
onde o sol se põe sem se pôr
e se esconde sem se esconder por trás de uma nuvem indiferente,
agitada por um vento
que sopra apenas por soprar.
Um segundo passa.
Outro.
Um terceiro.
Mas esses três segundos são apenas nossos.
O tempo passou feito um mensageiro com notícias urgentes.
Mas isso é apenas nossa símile.
O personagem é inventado, sua pressa imaginária,
sua notícia desumana.

 

“Paisagem com grão de areia” – Wislawa Szymborska