fernand fonssagrives. mais aqui.

Anúncios

“acordo com um corpo sobre outro que tende ao solo. um horizonte de punhos fechados.”

achei anotado no caderno. não sei do que se trata. nem sei de onde vem.

“cigarettes and love are very similar experiences: you are seduced and you try it, you like it a lot (maybe not true for everybody), one day you get tired of it or it gets tired of you, but later you insist again, one day you quit maybe or think about it, then you come back and insist again, then it’s clear that you are never really going to be satisfied with the results… still, there are some moments, you know, that are not so bad… then again it’s not it exactly what you expected… but you insist again maybe because what else could you do…” (via .)

New York, I Love You
But you’re bringing me down
New York, you’re safer
And you’re wasting my time
Our records all show
You are filthy but fine
But they shuttered your stores
When you opened the doors
To the cops who were bored
Once they’d run out of crime
New York, you’re perfect
Don’t please don’t change a thing
Your mild billionaire mayor’s
Now convinced he’s a king
So the boring collect
I mean all disrespect
In the neighborhood bars
I’d once dreamt I would drink
New York, I Love You
But you’re bringing me down
And Oh..
Maybe mother told you true
And they’re always be something there for you
And you’ll never be alone
But maybe she’s wrong
And maybe I’m right
And just maybe she’s wrong
Maybe she’s wrong
And maybe I’m right
And if so, is there?

“De tanto ver, talvez, ela atravessa. Começa a descer para o mar, para o fim. Ela percorre com seu passo largo e magro as encostas das florestas. Atravessa, atravessa. São as florestas pestilentas. As regiões muito quentes. Não há o vento saudável do mar. Há o zumbir estagnado dos mosquitos, as crianças mortas, a chuva todos os dias. E depois os deltas. Os maiores do mundo. Do lado preto. Seguem para Chittagong. Ela deixou as trilhas, as florestas, as rotas do chá, os sóis vermelhos, percorre a abertura dos deltas à sua frente. Toma a direção do giro terrestre, sempre distante, envolvente, o leste. Um dia se vê diante do mar. Ela grita, ri com seu milagroso gorjeio do pássaro. Com o riso, ela encontra em Chittagong uma balsa de junco que  a leva, os pescadores querem pegá-la, ela tem companhia para atravessar o golfo da Bengala.

Então começam, em seguida começam a vê-la perto dos depósitos de lixo nos arredores de Calcutá.

Depois a perdem de vista. Depois a reencontram. Ela está atrás da embaixada da França nessa mesma cidade. Dorme num parque, saciada por um alimento infinito.

Fica lá durante a noite. E no Ganges ao amanhecer. Sempre risonha e zombeteira. Não vai embora. Aqui come, aqui dorme, a noite é calma, ela fica lá, no parque dos loureiros-rosa.

Um dia chego, passo por lá. Estou com dezessete anos. É o bairro inglês, os parques das embaixadas, época da monção, as quadras de tênis desertas. Ao longo do Ganges, os leprosos riem.

Fizemos escala em Calcutá. Uma pane no paquete. Visitamos a cidade para passar o tempo. Partimos na noite seguinte.”

O Amante – Marguerite Duras